Luiz Cláudio Pádua Neto

Éramos muito aquém

Em matéria de identificação de banheiros, eu pensava já ter visto de tudo. Os tradicionais: ele e ela, masculino e feminino, cavalheiro e dama e homens e mulheres.

 Os metafóricos: uma bengala e uma cartola para designar o banheiro dos homens e uma sombrinha e um leque para o das mulheres.

Os que atentam contra o vernáculo: mascolino e femenino, muito comum em postos de beira de estrada.

As figuras alusivas do cavalheiro de cartola e bengala e a dama de sombrinha e leque, também são relativamente comuns. 

Contudo, ao entrar em um bar, percebo que ainda tinha o que aprender. O bar em questão estava cheio, com bebedores de cerveja em quase todas as mesas.

O rapaz, que tomava conta da chapa usava um avental branco, com a chancela de uma casa de tintas, impressa nas costas. A preocupação com a higiene terminava ali, pois a mesma mão que recebia o dinheiro e fornecia o troco, também pegava os bifes na vasilha e os jogava na chapa.

 O bar era um anexo da casa e pela porta entreaberta da sala, pude perceber um pôster, em preto e branco, que documentava, para os incrédulos, que a proprietária do estabelecimento já teve dias melhores.

O meu sanduíche demorou a ficar pronto e no tempo que fiquei esperando, escorado ao balcão, uma coisa me chamou a atenção: ninguém se levantou para ir ao banheiro.

Foi então que ao olhar para os banheiros, que estavam a minha frente, percebi o suposto motivo pelo qual ninguém os usava. Os banheiros eram identificados com um pôster da Bruna Lombardi para as mulheres e um do Carlos Alberto Riccelli, para os homens, afixados nas portas.

 Éramos muito ágüem…

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s