Éramos muito aquém
Em matéria de identificação de banheiros, eu pensava já ter visto de tudo. Os tradicionais: ele e ela, masculino e feminino, cavalheiro e dama e homens e mulheres.
Os metafóricos: uma bengala e uma cartola para designar o banheiro dos homens e uma sombrinha e um leque para o das mulheres.
Os que atentam contra o vernáculo: mascolino e femenino, muito comum em postos de beira de estrada.
As figuras alusivas do cavalheiro de cartola e bengala e a dama de sombrinha e leque, também são relativamente comuns.
Contudo, ao entrar em um bar, percebo que ainda tinha o que aprender. O bar em questão estava cheio, com bebedores de cerveja em quase todas as mesas.
O rapaz, que tomava conta da chapa usava um avental branco, com a chancela de uma casa de tintas, impressa nas costas. A preocupação com a higiene terminava ali, pois a mesma mão que recebia o dinheiro e fornecia o troco, também pegava os bifes na vasilha e os jogava na chapa.
O bar era um anexo da casa e pela porta entreaberta da sala, pude perceber um pôster, em preto e branco, que documentava, para os incrédulos, que a proprietária do estabelecimento já teve dias melhores.
O meu sanduíche demorou a ficar pronto e no tempo que fiquei esperando, escorado ao balcão, uma coisa me chamou a atenção: ninguém se levantou para ir ao banheiro.
Foi então que ao olhar para os banheiros, que estavam a minha frente, percebi o suposto motivo pelo qual ninguém os usava. Os banheiros eram identificados com um pôster da Bruna Lombardi para as mulheres e um do Carlos Alberto Riccelli, para os homens, afixados nas portas.
Éramos muito ágüem…

